Permacultura na Escola Ser Criança em Campo Largo – Paraná

Há algum tempo resolvi abandonar minha carreira de bancário e um curso de Administração – no penúltimo ano – para cultivar uma horta. Embora minha consciência bradasse que essa era a decisão mais coerente, o que não faltou foi quem acreditasse que eu havia enlouquecido.

O meu despertar, por assim dizer, começou quando vi alimento sendo envenenado, vi pessoas adoecendo por conta de uma alimentação a base de comida industrializada, agricultores familiares oprimidos pelo latifúndio, florestas sendo derrubadas em prol de monoculturas imensas, e pessoas sem ter o que comer.

E com esse despertar veio o desejo de transformar. O que eu fiz? Comecei a plantar uma “floresta de comida” no jardim dos meus pais. Afinal, eles sempre diziam que eu deveria cuidar do jardim! Então, eu pensei: “Tranqüilo, já que é minha responsabilidade e eu tenho que cuidar, posso fazer o que eu quiser. E plantei árvores frutíferas junto com medicinais, hortaliças e leguminosas. E os meus amigos vieram para ajudar. E depois, ajudei alguns amigos a planejar e construir suas hortas e pomares. Passei a plantar comida por onde passava e não consigo mais parar.

Em 2010, quando conheci a Permacultura e seus princípios, ao olhar para minha caminhada até ali me dei conta que coloquei em prática 12º princípio “Use a criatividade e responda as mudanças”.

E foi após o curso de formação em Permacultura (PDC, do inglês Permaculture Design Course) que nós resolvemos nos reunir, e assim fundamos o BioWit,  a partir daí começamos a cultivar nosso alimento, a trocar alimento, a guardar sementes, tudo de modo solidário.

Logo percebemos que – nossa considerada “loucura” – planejar um jardim, além de trivial, é muito gratificante. E vendo nossa “fábrica de felicidade”, começaram a aparecer outras iniciativas de jardins e hortas!

Hoje, eu sei que o problema é a solução. E nesse caso a comida é o problema e a comida é a solução.

Ensinando como o problema pode ser a solução!

Desde que demos inicio aos estudos em Permacultura, entendemos como o cultivo de jardins pode ser uma ferramenta de educação transformadora. E hoje, cinco meses depois do inicio do projeto “Colorindo a Natureza” – que faz parte do Programa Sementinha e está sendo implantado na Escola de Educação Infantil Ser Criança – podemos afirmar sem dúvida alguma que é surpreendente como as crianças são afetadas por um jardim repleto de flores, alimento, cores, cheiros e sabores.

Este é um breve relato sobre essa experiência de ensinar (alunos, pais e professores) sobre permacultura, jardinagem, ecologia, etc.

Boa leitura!

Sobre empoderar, integrar e fortalecer

O Programa Sementinha: Multiplicando permacultores, foi concebido com o objetivo de inserir a permacultura como estratégia da educação ambiental escolar. Um projeto em que gestores, professores e os familiares participam ativamente da sua redação e da sua revisão.

E foi a partir daí, surgiu o interesse da Escola Ser Criança em ampliar a discussão e ensino da educação ambiental que já vinha sendo realizado. E para isso, nos chamaram e propomos redesenhar a área externa da escola, seguindo os princípios da permacultura e agroecologia.

A conseqüência disso foi o Projeto Colorindo a Natureza – nome escolhido democraticamente pelo grupo escolar – parte do Programa Sementinha.

E como na metodologia de aplicação do projeto está a gestão participativa, nossa primeira ação foi – em 30 de janeiro – reunir gestores e colaboradores – professores e demais funcionários – da escola para, juntos, pensarmos sobre qual formação queremos para os nossos filhos. 11138672_682658825171932_9160265916250061745_n

Foram três horas de troca, conversa e conhecimento. Durante a oficina, aplicamos um questionário com três perguntas abertas com a intenção de saber a visão dos professores ao projeto de permacultura para a escola.

Alinhamos as diferentes visões e percebemos que todos estavam a favor de uma educação que insira as pessoas na sociedade como sujeitos da história e da transformação. Assim, a metodologia participativa permitiu definir os objetivos do projeto “Colorindo a Natureza” e com isso,  estabelecer os próximos passos.

Também com base na metodologia participativa, no dia dezessete de abril, ocorreu a etapa seguinte. Nela, houve a palestra de sensibilização com os pais e mães, e aplicação de questionário similar ao aplicado anteriormente, para que a visão deles também fosse inclusa no projeto.

O principal questionamento levantado por um dos pais foi: “o que é ser permacultor afinal?”

Bom, ser permacultor obviamente significa aprender a ler e entender a natureza, os ecossistemas, sistemas naturais, água, solo, plantas, animais, cultivar o próprio alimento! E ainda, aprender a ler e entender as abstrações humanas, como ambiente, comunidade, educação, economia. Muito além do conceito de sustentabilidade, é buscar um novo jeito de co-criar com o planeta, uma sociedade que seja, justa, equilibrada, divertida, dinâmica, integrada, consciente e saudável.

Oficina de sensibilização – Primeira parte

Desenhando o jardim

Depois de integrar ao projeto a visão de todo grupo escolar, foi chegada a hora da prática. Primeiro, criamos um croqui do pátio da escola, com intuito de visualizar e definir as diferentes Zonas e Setores na escola, observando elementos pertinentes a cada zona, tais como salas de aula e o refeitório (Zona 0), que gera resíduos que são aproveitados para formação de canteiros (Zona 1 ao lado ao refeitório), que por sua vez é constituída de canteiros com boa diversidade de hortaliças, plantas medicinais, plantas alimentícias não convencionais, flores, entre outros, além da compostagem. Na Zona 2 pensamos em implantar nossa agrofloresta, e criar um sistema de produção de alimentos e integração com cozinha (plantar, colher e preparar o alimento).

Para tanto,  fizemos uma análise dos tipos de materiais físicos que estão à disposição em torno da escola e que pudessem ser aproveitados para a construção dos canteiros. Por exemplo, coletamos e recebemos dos pais os paralelepípedos necessários para a construção dos canteiros. Depois de juntar mais de 300 paralelepípedos, iniciamos em conjunto com os alunos, a montagem dos canteiros. A forma que escolhemos para ele foi o simbolo do infinito. Em seguida, preenchemos os canteiros com mulch (folhas secas, palha, grama, etc.) toquinhos de madeira em decomposição e substrato vegetal doado pelo Horto Municipal de Campo Largo. Incorporamos ainda uma fina camada de cinza e um pouco do solo do horizonte O que retiramos do local dos canteiros. E novamente uma camada de mulch.

@s alun@s acompanharam e participaram ansiosos aguardando pelo momento do plantio. Cada um trouxe de casa algumas mudinhas recomendadas para essa estação do ano. Entre elas foram plantadas, alface, beterraba, rabanete, morango, pulmonária, repolho, couve, brócolis, salsinha, cebolinha, almeirão, etc.

Além de estimular as crianças aprenderem a cultivar o próprio alimento, o melhor foi ter a percepção delas em relação a essa atividade. É simplesmente contagiante viver o mundo imaginário das crianças, pois ao observar o formato do canteiro e como elas imaginavam o que seria aquele desenho, ouvimos muitas respostas como, por exemplo, algumas disseram que era o rabo do jacaré, letra C, ferradura, balão, ponto de interrogação, etc. Ou então, quando perguntamos para elas o que gostariam de cultivar na horta para cuidar e comer, além das hortaliças, recebemos respostas como plantar macarrão, salgadinho, chocolate. =D Agora, quando estamos passando pelos corredores da escola, é aquele alegria porque sabem que vai ter atividade na horta.

Veja o informativo do mês de Maio – Parte 1Parte 2
E como essa história está apenas começando, fique atento que em breve teremos mais informações. 

Abraço fraterno e gratidão!

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