Primeira assembleia 2017

Primeira assembleia 2017

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Realizada na tarde de ontem, na Casa da Vó, em Curitiba, a primeira Assembleia Geral 2017 do Instituto de Permacultura do Paraná. Na ocasião, foram apresentados e debatidos assuntos como: declaração de adesão e carta de princípios; a criação de um selo de responsabilidade ética do Ipepa baseado no modelo participativo de garantia para produtos e serviços; agenda de trabalhos e cursos; elaboração de tutorias para compartilhar conhecimento teórico e prático sobre permacultura e agroecologia; canais/meios de comercialização de produtos e viabilização financeira das estações; entre outros.

Durante a assembléia, os participantes tiverem a oportunidade de esclarecer dúvidas, contribuir com a co-criação e amadurecimento do Instituto, além de fortalecer o relacionamento entre as estações de permacultura.

Após a cerimônia, os participantes confraternizaram com produtos agroflorestais celebrando a união e a amizade.

Curso e vivência de Permacultura e Sistemas Agroflorestais

Curso e vivência de Permacultura e Sistemas Agroflorestais

Durante os dias 31 de outubro, 1 e 2 de novembro, a Nova Oikos em parceria com o IPEPA, promoveu o curso e vivência prática de Permacultura e Sistemas Agroflorestais, realizado em Balneário Camboriú\SC. O curso foi facilitado por Alan Silveira, Felipe Siedlecki, Martin Ewert, Mildred Gustack Delambre e Rafaelle Mendes.

Permacultura

O conteúdo abordado foi: Ciclagem de nutrientes; Formação do solo; Sucessão Ecológica; Estratos; Funcionamento da Floresta; Introdução a Permacultura; Cuidados, manutenção e uso correto de ferramentas; Leitura da paisagem; Preparo do adubo orgânico fermentado tipo Bokashi; Design permacultural; Design para espaços produtivos na Zona 1 e 2; Implantação do setor agrofloresta; Manejo de canteiros.

Além desses conceitos apresentados acima, os alunos realizaram um exercício de design da propriedade com o intuito de implantar uma agrofloresta na Zona 2 da estação de permacultura Nova Oikos. O resultado desse planejamento foi a recuperação de uma área degradada por meio de um canteiro agroflorestal com aproximadamente 100 metros de comprimento. Nesse local foram cultivados mais de 30 espécies de mudas frutíferas e sementes diversas seguindo a premissa que diversidade gera estabilidade.

A primeira lógica da agrofloresta é plantar 100 vezes mais do que vai virar planta adulta. Depois é feito o manejo e poda para gerar biomassa e melhorar a fertilidade do solo. Os berços foram preparados com o Bokashi, serrapilheira, troncos de madeira e mulch, que tem rápida decomposição e servem para proteger as mudas e sementes, bem como servem de alimento para as plantas cultivadas se desenvolverem.

Confira algumas imagens clicadas pela Rafaelle Mendes:

Ipepa e Nova Oikos ministram PDC em Curitiba

Ipepa e Nova Oikos ministram PDC em Curitiba

Nos dias 18 a 26 de Julho, o Instituto de Permacultura do Paraná (Ipepa) em parceria com a Nova Oikos Permacultura e decrescimento, realizou na WakeUp Colab, o curso de formação de Permacultores (PDC). E como resultado disso, temos uma turma de permacultores conscientes e engajados na construção de um mundo melhor.

Durante os dias de curso , os facilitadores Mildred Delambre, Martin Ewert, Rafael Cabreira, João Paulo Santana e Rafaelle Mendes, abordaram temas relacionados aos princípios da permacultura e design permacultural, como o funcionamento dos sistemas naturais, ecologia cultivada, padrões da natureza, análise de elementos, arquitetura apropriada, gestão de água e energia na paisagem, sistemas agroflorestais, economia solidária, estruturas invisíveis, dragon dreaming, entre outros. Além das atividades práticas de cultivo e compostagem – compreendendo uma carga horária de 80 horas e seguindo fielmente a ementa do Syllabus.

Este PDC aconteceu em meio urbano e para garantir o processo de certificação, os alunos assistiram a 100% do curso e, como já é de praxe, ao fim criaram e apresentaram um projeto de design em grupo para o Parque Gomm e para a Casa colaborativa Wake Up.

Para nós, ser permacultor obviamente significa aprender a ler e entender a natureza, os ecossistemas, sistemas naturais, água, solo, plantas, animais, cultivar o próprio alimento! E ainda, aprender a ler e entender as abstrações humanas, como ambiente, comunidade, educação, economia. Muito além do conceito de sustentabilidade, é buscar um novo jeito de co-criar com o planeta, uma sociedade que seja, justa, equilibrada, divertida, dinâmica, integrada, consciente e saudável.

Se interessou pelo assunto, então fique atento, em breve faremos outro PDC.

Confira algumas imagens:

Permacultura na Escola Ser Criança em Campo Largo – Paraná

Permacultura na Escola Ser Criança em Campo Largo – Paraná

Há algum tempo resolvi abandonar minha carreira de bancário e um curso de Administração – no penúltimo ano – para cultivar uma horta. Embora minha consciência bradasse que essa era a decisão mais coerente, o que não faltou foi quem acreditasse que eu havia enlouquecido.

O meu despertar, por assim dizer, começou quando vi alimento sendo envenenado, vi pessoas adoecendo por conta de uma alimentação a base de comida industrializada, agricultores familiares oprimidos pelo latifúndio, florestas sendo derrubadas em prol de monoculturas imensas, e pessoas sem ter o que comer.

E com esse despertar veio o desejo de transformar. O que eu fiz? Comecei a plantar uma “floresta de comida” no jardim dos meus pais. Afinal, eles sempre diziam que eu deveria cuidar do jardim! Então, eu pensei: “Tranqüilo, já que é minha responsabilidade e eu tenho que cuidar, posso fazer o que eu quiser. E plantei árvores frutíferas junto com medicinais, hortaliças e leguminosas. E os meus amigos vieram para ajudar. E depois, ajudei alguns amigos a planejar e construir suas hortas e pomares. Passei a plantar comida por onde passava e não consigo mais parar.

Em 2010, quando conheci a Permacultura e seus princípios, ao olhar para minha caminhada até ali me dei conta que coloquei em prática 12º princípio “Use a criatividade e responda as mudanças”.

E foi após o curso de formação em Permacultura (PDC, do inglês Permaculture Design Course) que nós resolvemos nos reunir, e assim fundamos o BioWit,  a partir daí começamos a cultivar nosso alimento, a trocar alimento, a guardar sementes, tudo de modo solidário.

Logo percebemos que – nossa considerada “loucura” – planejar um jardim, além de trivial, é muito gratificante. E vendo nossa “fábrica de felicidade”, começaram a aparecer outras iniciativas de jardins e hortas!

Hoje, eu sei que o problema é a solução. E nesse caso a comida é o problema e a comida é a solução.

Ensinando como o problema pode ser a solução!

Desde que demos inicio aos estudos em Permacultura, entendemos como o cultivo de jardins pode ser uma ferramenta de educação transformadora. E hoje, cinco meses depois do inicio do projeto “Colorindo a Natureza” – que faz parte do Programa Sementinha e está sendo implantado na Escola de Educação Infantil Ser Criança – podemos afirmar sem dúvida alguma que é surpreendente como as crianças são afetadas por um jardim repleto de flores, alimento, cores, cheiros e sabores.

Este é um breve relato sobre essa experiência de ensinar (alunos, pais e professores) sobre permacultura, jardinagem, ecologia, etc.

Boa leitura!

Sobre empoderar, integrar e fortalecer

O Programa Sementinha: Multiplicando permacultores, foi concebido com o objetivo de inserir a permacultura como estratégia da educação ambiental escolar. Um projeto em que gestores, professores e os familiares participam ativamente da sua redação e da sua revisão.

E foi a partir daí, surgiu o interesse da Escola Ser Criança em ampliar a discussão e ensino da educação ambiental que já vinha sendo realizado. E para isso, nos chamaram e propomos redesenhar a área externa da escola, seguindo os princípios da permacultura e agroecologia.

A conseqüência disso foi o Projeto Colorindo a Natureza – nome escolhido democraticamente pelo grupo escolar – parte do Programa Sementinha.

E como na metodologia de aplicação do projeto está a gestão participativa, nossa primeira ação foi – em 30 de janeiro – reunir gestores e colaboradores – professores e demais funcionários – da escola para, juntos, pensarmos sobre qual formação queremos para os nossos filhos. 11138672_682658825171932_9160265916250061745_n

Foram três horas de troca, conversa e conhecimento. Durante a oficina, aplicamos um questionário com três perguntas abertas com a intenção de saber a visão dos professores ao projeto de permacultura para a escola.

Alinhamos as diferentes visões e percebemos que todos estavam a favor de uma educação que insira as pessoas na sociedade como sujeitos da história e da transformação. Assim, a metodologia participativa permitiu definir os objetivos do projeto “Colorindo a Natureza” e com isso,  estabelecer os próximos passos.

Também com base na metodologia participativa, no dia dezessete de abril, ocorreu a etapa seguinte. Nela, houve a palestra de sensibilização com os pais e mães, e aplicação de questionário similar ao aplicado anteriormente, para que a visão deles também fosse inclusa no projeto.

O principal questionamento levantado por um dos pais foi: “o que é ser permacultor afinal?”

Bom, ser permacultor obviamente significa aprender a ler e entender a natureza, os ecossistemas, sistemas naturais, água, solo, plantas, animais, cultivar o próprio alimento! E ainda, aprender a ler e entender as abstrações humanas, como ambiente, comunidade, educação, economia. Muito além do conceito de sustentabilidade, é buscar um novo jeito de co-criar com o planeta, uma sociedade que seja, justa, equilibrada, divertida, dinâmica, integrada, consciente e saudável.

Oficina de sensibilização – Primeira parte

Desenhando o jardim

Depois de integrar ao projeto a visão de todo grupo escolar, foi chegada a hora da prática. Primeiro, criamos um croqui do pátio da escola, com intuito de visualizar e definir as diferentes Zonas e Setores na escola, observando elementos pertinentes a cada zona, tais como salas de aula e o refeitório (Zona 0), que gera resíduos que são aproveitados para formação de canteiros (Zona 1 ao lado ao refeitório), que por sua vez é constituída de canteiros com boa diversidade de hortaliças, plantas medicinais, plantas alimentícias não convencionais, flores, entre outros, além da compostagem. Na Zona 2 pensamos em implantar nossa agrofloresta, e criar um sistema de produção de alimentos e integração com cozinha (plantar, colher e preparar o alimento).

Para tanto,  fizemos uma análise dos tipos de materiais físicos que estão à disposição em torno da escola e que pudessem ser aproveitados para a construção dos canteiros. Por exemplo, coletamos e recebemos dos pais os paralelepípedos necessários para a construção dos canteiros. Depois de juntar mais de 300 paralelepípedos, iniciamos em conjunto com os alunos, a montagem dos canteiros. A forma que escolhemos para ele foi o simbolo do infinito. Em seguida, preenchemos os canteiros com mulch (folhas secas, palha, grama, etc.) toquinhos de madeira em decomposição e substrato vegetal doado pelo Horto Municipal de Campo Largo. Incorporamos ainda uma fina camada de cinza e um pouco do solo do horizonte O que retiramos do local dos canteiros. E novamente uma camada de mulch.

@s alun@s acompanharam e participaram ansiosos aguardando pelo momento do plantio. Cada um trouxe de casa algumas mudinhas recomendadas para essa estação do ano. Entre elas foram plantadas, alface, beterraba, rabanete, morango, pulmonária, repolho, couve, brócolis, salsinha, cebolinha, almeirão, etc.

Além de estimular as crianças aprenderem a cultivar o próprio alimento, o melhor foi ter a percepção delas em relação a essa atividade. É simplesmente contagiante viver o mundo imaginário das crianças, pois ao observar o formato do canteiro e como elas imaginavam o que seria aquele desenho, ouvimos muitas respostas como, por exemplo, algumas disseram que era o rabo do jacaré, letra C, ferradura, balão, ponto de interrogação, etc. Ou então, quando perguntamos para elas o que gostariam de cultivar na horta para cuidar e comer, além das hortaliças, recebemos respostas como plantar macarrão, salgadinho, chocolate. =D Agora, quando estamos passando pelos corredores da escola, é aquele alegria porque sabem que vai ter atividade na horta.

Veja o informativo do mês de Maio – Parte 1Parte 2
E como essa história está apenas começando, fique atento que em breve teremos mais informações. 

Abraço fraterno e gratidão!

No Paraná, grupo quer criar pontos de ônibus permaculturais

No Paraná, grupo quer criar pontos de ônibus permaculturais

Já pensou poder esperar o ônibus e ainda aprender sobre sustentabilidade? O Coletivo Biowit pensou que seria uma ótima ideia poder aliar a estrutura do transporte público com a permacultura e trazer um ambiente de espera mais confortável e fresco para a população. Ao mesmo tempo, os pontos poderão ensinar sobre permacultura e ainda trazer beleza para a comunidade.
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Todas estas vantagens levaram o coletivo a criar um projeto de Crowdfunding em que se pretende angariar dinheiro de doadores para a construção de pontos de ônibus na comunidade de Witmarsum, a qual nem ao menos possui pontos de ônibus estruturados comuns, causando grande desconforto e confusão na população.

O projeto pretende revitalizar quatro pontos de ônibus da comunidade localizada em Palmeiras, Paraná, mas de uma maneira diferente e sustentável, construindo os pontos com as técnicas de bioconstrução da permacultura, como paisagismo agroflorestal, plantação de plantas alimentícias não-convencionais no entorno, bancos de pallets, entre outros.

Para realizar o projeto, o coletivo Biowit pede a participação dos interessados em sua campanha de Crowdfunding, a qual pretende angariar a quantia de R$ 16.000 para a construção dos quatro pontos. Além dos benefícios primários para a população, espera-se incentivar o turismo na região e auxiliar a comunidade a posteriori.

Quer saber mais sobre o projeto? Clique aqui.

Publicado em Pensando ao Contrário.

Como observar o desenho das paisagens: zonas e setores

Este texto pretende contribuir no entendimento do que vem a ser o design de propriedades rurais sustentáveis, a partir de princípios da permacultura. O objetivo é apresentar ao leitor informações sobre algumas soluções alternativas que visam criar um agroecossistema pensado a favor do homen, da natureza, dos animais e dos recursos energéticos (alimento, água, luz, solo, etc.). Vale dizer que para abordar todas as técnicas e métodos usados como ferramentas para a transição agroecológica de uma propriedade seria preciso um livro inteiro, o que se fez aqui é apenas um primeiro passo.

Todavia, na permacultura encontramos as respostas para um sistema de design pensado na eficiência energética da propriedade, que se fundamenta na ética de proteção da terra. Embora, para muitos a permacultura possa parecer um retrocesso tecnológico que condiciona trabalho manual intenso devido ao uso de ferramentas de mão, como, por exemplo, facão, foice, machado, enxada, carrinho de mão, etc. A intencionalidade é reduzir intervenções na propriedade ou fazê-las inteligentemente. Isso não significa que utilizar pontualmente ferramentas ou tecnologias que facilitam o trabalho – como pequenos tratores, roçadeiras, moto-serras – sejam proibidos,  ou seja, o uso moderado dessas máquinas se justifica.

Entretanto, deve-se ter em mente que isso exclui a maquinaria pesada usados em sistemas agrícolas convencionais, dependentes de altos consumos energéticos (combustíveis fosseis, adubação química, etc.) e que freqüentemente são acompanhados de inúmeros problemas sociais e ambientais (erosão, doenças, fome, miséria, contaminações, pragas, etc.).

A prioridade é criar um design da propriedade de forma que, a conexão entre os elementos possa aumentar os recursos naturais, suprindo a necessidade energética do lugar a partir do melhor aproveitamento espacial e em sinfonia com o trabalho humano, este podendo incluir amigos ou vizinhos contribuindo assim com a integração comunitária do lugar. Em outras palavras, significa construir um ambiente sustentável a partir da porta da sua casa, com o uso eficiente dos recursos naturais em sua volta dentro de um sistema intensivo de pequena escala, projetado sempre para produzir mais alimento humano e animal que seria encontrado de maneira natural, chegando, por fim, a atingir um plano maior de organização cooperativa em uma comunidade, ou até em níveis maiores como lembra o permacultor Sérgio:

“As estratégias de design da Permacultura não existem apenas para o planejamento de propriedades abundantes em energia – este é apenas o primeiro nível de ação do permacultor. É possível desenhar também sistemas de transporte, educação, saúde, industrialização, comércio e finanças, distribuição de terras, comunicação e governança, entre outros, para criar sociedades prósperas, cooperativas, justas e responsáveis. O sonho é possível: a ética cria possibilidades de consensos, coordena ações, coíbe práticas nefastas, oferece os valores imprescindíveis para podermos viver bem”. (Sérgio Pamplona, 2011)

De modo geral, existem muitas maneiras de iniciar o planejamento do design da propriedade, o que se deve ter em vista é o processo continuo que um bom design exige. Todos os planejamentos do design de uma propriedade vão passar por muitas mudanças à medida que evoluem com a prática de feedback´s positivos.  A observação nesse estágio é fundamental

– observe e interaja –

afinal, ler a paisagem é identificar todos os recursos do lugar e saber o melhor jeito de usa-los a seu favor.

Um bom caminho para se iniciar o projeto de design é o planejamento de zonas e setores da propriedade. Tudo começa com a observação do lugar, por exemplo, a localização do sol em diferentes estações do ano, por conseguinte as intervenções iniciam na área mais próxima da casa. Uma vez que a casa é a Zona 0, a área em volta da casa será sempre sua Zona I, e assim sucessivamente de acordo com o posicionamento dos elementos e a freqüência que são visitados ou utilizados. De maneira geral, as zonas são organizadas conforme o número de vezes que precisam ser visitadas, ou o número de vezes que determinados elementos nessa zona precisem da visita. A última é a Zona V, com sua principal característica a conservação, nesse local não se faz intervenções ou qualquer tipo de manejo.

Os elementos executam diversas funções e devem ser compreendidos, sobretudo, entre seus relacionamentos, de maneira que um elemento complemente o outro. Isso significa que a posição de cada elemento depende da sua função e no maior número de interação possível entre os elementos. Por exemplo, a vaca é um elemento que precisa de água, comida, sombra e sua função é produzir o leite, tração animal, e o adubo, por tanto, possui funções que estão associadas a outros elementos e estes devem interagir entre sí e com a vaca. Já os setores dizem respeito a todas as energias que não se podem controlar, tais como o sol, a chuva ou relações hidrográficas, o vento, etc.

Cada design terá caracteristicas únicas que dependem de diversos fatores relacionados ao objetivo da propriedade, a questões de clima, relevo, solo, disponibilidade de água, etc. O importante nessa fase do planejamento é compreender toda sinergia do agroecossistema e como se beneficiar inteligentemente dos recursos encontrados na propriedade. As estratégias e técnicas que serão adotadas em cada propriedade podem variar de acordo com as condições do local, contudo, existem leis e princípios que são adotados em qualquer clima ou condição cultural, por exemplo, cada elemento (casa, tanque de peixe, estrada, agrofloresta etc.) é alocado em relação ao outro, para que haja ajuda mútua entre esses elementos, ou outro princípio é  que cada elemento execute pelo menos duas funções no sistema, e para tanto, este elemento deve ser colocado no lugar certo.

design-novo21Para ilustrar melhor, apresentamos outro modelo de design que foi desenvolvido pelo permacultor Gardel Silveira no sítio Curupira localizado em Santo Amaro da Imperatriz/SC.

Recomendamos a leitura do livro ‘Introdução a Permacultura’ de Bill Mollison para um estudo mais aprofundado sobre as técnicas e práticas de design que melhor se adaptam a cada situação. Neste livro são apresentados aspectos importantes para o plamejamento de diversos elementos. Todas as propriedades rurais deveriam ser projetadas observando atentamente o design  sustentável proposto na permacultura, porque está mais que comprovado por meio de infinitas experiências no mundo todo que estes princípios são a grande revolução na atual crise planetária.

Precisamos projetar as nossas propriedades de forma inteligente, produzindo a energia e o alimento que necessitamos junto com a natureza e não contra ela!!!

O planejamento permacultural da propriedade é elaborado de acordo com a definição de zonas que se caracterizam pelo posicionamento dos elementos, de acordo com a quantidade e a frequência em que serão utilizados, ou que necessitam de visitas.

Sabendo disso, temos como exemplo um desenho do design da estação de permacultura que fica em São Pedro de Alcantra/SC, chamada de Yvy Porã

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É importante ter em mente que a prioridade de desenvolvimento deve ser para a área mais próxima da casa, pois a escolha dos elementos inseridos nas zonas pode variar de acordo com a necessidade de cada permacultor.

Zona 0 – (Centro da energia) É o centro da atividade, normalmente é o local onde a casa está. Seu planejamento deve ser feito de forma que a utilização de espaço seja eficiente, ajustando-se a necessidade de seus ocupantes e que tenha recurso paracontrole de temperatura, se adequando assim a região.

Zona 1 – Será a região próxima a casa. Nela pode se colacar os elementos que sejam de mais utilidade e, ou necessitem de maior cuidado e controle. Exemplos de elementos que podem ficar nessa área, pequenos animais, área para secagem de grãos, varal para roupas, pequenos arbustos, além do jardim, estufa e viveiro e canteiros.

Zona 2 – Mesmo que um pouco distante da casa, esta é uma região mantida com certa intensidade. Pode apresentar um plantio denso, isto é, pomar, arbustos maiores e quebra-ventos. A zona dois pode ainda abrigar tanque ou açudes, animais de pequeno e médio porte.

Zona 3 – Distante da casa, essa zona pode apresentar criação de animais de médio e grande porte, pomar que não necessite de poda, pastagens para animais ou para forragem. Pode contar espécies de árvores nativas.

Zona 4 – Esta é uma zona semi-manejada, de pouca visitação. Nela ficam as árvores de grande porte, que podem se manejadas. Aqui é possível a implantação de sistemas agroflorestais – produção consorciada de plantas (policultivo).

Zona 5 – Nessa parte do terreno não haverá nenhuma interferência. A única coisa a ser feita é observar e aprender como o ecossistema funciona por si só.

O zoneamento pode variar de acordo com as necessidades de cada permacultor. David Holmgren afirma que, para se conseguir um bom planejamento em propriedades maiores, é necessário criar uma “rede de análise”.

(BioWit)

Horta Urbana

Horta Urbana

O Arquiteto e permacultor Fábio Remuszka (Fafu), construiu uma horta um pouco diferente na Estação Boqueirão de Permacultura, localizada em Curitiba. Com o intuito de dar um uso nobre para velhos tambores plásticos e caixas de isopor que são descartadas por restaurantes de gastronomia japonesa em Curitiba, Fafu construiu dentro destes recipientes que antes transportavam peixes, uma bela horta urbana.

Foto: João Paulo Santana

Foto: João Paulo Santana

Ao fundo podemos observar o escritório do restaurante Choripã, onde acontece também a captação de água da chuva, que escorre do telhado e depois é utilizada para irrigar as plantas.  Com o intuito de reproduzir o nível freático do subsolo, o permacultor simulou em cada módulo da horta, diferentes camadas, inclusive colocando pedras e pedriscos, criando um verdadeiro sistema de capilaridade, onde ficará armazenada a água que os vegetais utilizarão para viver.
     Deste ambiente saudável e inteligente que reutilizou velhos pallets, caixas de isopor e tambores plásticos antigos, saem deliciosas saladas e condimentos, que muitas vezes são servidos no bar Gastrônomo Pinho, o Choripã que fica na região central de Curitiba.